Desde que cheguei aqui, as pessoas constantemente me falavam: "ah, você veio do Ceará, do Nordeste, tem nem comparação as praias daqui com as de lá, a praia daqui é muito feia". E eu sempre pensando: "quero pagar pra ver".
Em um sábado, 7:30, partimos pro litoral paranaense. Eu e mais dos meninos (que aqui irei denominar como A e B). A., nascido em Curitiba, morador das praias desse sul do Brasil, amante de peixes e águas. B. paulista, que adora pedalar, reggae e trabalha com aquilo que muita gente passa o ano planejando: viagens. Ambos com uma paixão em comum: surf. E eu, uma cearense, com extrema saudade do mar, só querendo se deliciar com essa incrivel obra da natureza. Desse jeito, nós três, com as pranchas ocupando mais espaço do que nós mesmos, fomos pra Pontal do Paraná, que fica aproximadamente 100km de Curitiba.
Eu, particulamente não conseguia conversar muito. O sono não deixava, tinha passado uma noite péssima, mas, principamente, estava a observar toda aquela estrada nova que nunca havia cruzado. A primeira observação foi acerca do número de ciclistas descendo a serra. Muitos, ali, equipados, realizando talvez seu hobby do final de semana. A estrada muito boa, não perigosa, e com "plantas" pra tudo que é lado. O susto veio na hora do pedágio: quase "quinzão". Que roubo! Porém, confesso que em alguns momentos até achei que valia a pena, de tão boa que a estrada era. Abro uma observação aqui para relatar minha paixão por estradas. Gosto muito dessa sensação de sair viajando, com boa música e pessoas legais. Uma combinação perfeita, ainda mais se o destino for a praia.
Em pouco mais de uma horinha chegamos. Uma parada rápida para o café na padaria da tia, e logo nos preparamos para o grande encontro. Na psicologia, aprendi que quando estamos privados de algo, esse algo passar a ser bastante valorizado, ganhando um valor reforçador enorme. Juro pra vocês que foi o que senti quando cheguei na praia, com os pés na areia, olhando o marzão. Era aquilo que eu queria, que eu precisava e que tanto me faz bem. E, pelo fato de tá privado há mais de um mês dessa belezura, me fez achar essa praia a mais linda entre todas as praias. Era aquela que eu tinha pra aquele momento. E ela já estava de bom tamanho.
A propósito, paramos no Balneario Ipanema. Aqui ocorre diferente, a faixada de praia, de uma cidade como Pontal, por exemplo, é dividida em vários balnearios. Pelo menos, foi assim que entendi. =P
E esqueci de comentar outra coisa muito importante: estava um dia lindo. O mais lindo que já vi desde que cheguei aqui: céu azul, quase sem núvens, o sol se mostrando com todo seu amarelo. Ê sorte!
Os surfistas, fominhas, logo caíram no mar. Eu, estiquei minha canga, e ali fiquei. Apreciava tudo: o mar, as pessoas andando, o carinha que vendia cerveja (que eu não poderia deixar de tomar uma, lógico). Pra vocês conseguirem visualizar a praia: ela é uma faxada de areia, sem barracas, sem nada. As poucas pessoas sentam, armam suas "casas" e por lá ficam. De vez em quando passam os vendedores ambulantes. Nesse dia, alguns surfistas estavam por lá, tinham uns piás jogando futebol, e gente que só tava feliz da conta, tipo eu.
E, ali, voltando a ficar preta, preta, pretinha ia viajando, deitada na areia, escutando o som do mar. Nesse momento, nada eu pensava, só sentia. Afinal, quando a gente fica em frente ao mar, a gente se sente melhor.
Não poderia faltar o banho de mar. Confesso que ele não foi bem aproveitado. Os meninos comentaram de possibilidades de água-viva e eu não queria que a sensação boa que estava sentindo fosse transformada em ardor. Preferi não me prolongar no banho, mas, mesmo assim, foi bem bom.
Passa de uma tarde. A fome começa apertar. O almoço, não poderia ser outro: peixe! Prato feito mó limpeza, eu diria. Com macaxeira (aipim, mandioca). "Diliça"! :D
Hora de conhecer outra parte do Pontal. Pontal do Sul. Na minha cabeça, é como se realmente ficasse na ponta dessa praia toda, mas isso é na minha cabeça de senso comum. A praia, ao meu ver, é belissima! É formada por baías. Logo ao longe, avistamos a Ilha do Mel, que pretendo conhecer logo em breve. Então temos a Ilha, ao fundo, a baía, com o mar calmo, calmo...
Para chegar em Jeri, por exemplo, pegamos uma jardineira, não é? Pra chegar à Ilha do Mel pegamos um barquinho (não sei direito o nome). O que acontece é que, de repente, encontramos um ônibus marinho que faz esse translado. Não consegui pegar a foto de frente, mas acredito que vocês terão uma noção.
Ainda faltava um tempinho antes do compromisso final do dia: Campeonato Paranaense de Pesca Sub (é, eu nem sabia que isso existia, mas volto daqui a pouco pra esse assunto). Nesse tempo, fomos para o outro lado do Pontal do Sul. Tão calmo quanto. A paz voltou a ser sentida com toda sua leveza. Ali, sentada, apreciando uma nova paisagem voltou o desejo que tenho desde que fui morar no interior do Ceará: quando gente grande, fixar residência em uma praiazinha, calma e lindinha.
Hora do compromisso. Como disse: Campeonato Paranaense de Pesca Sub. Pelo o que entendi, os mergulhadores saem cedinho em um mesmo barco e voltam final da tarde, com os peixes que conseguiram pescar mergulhando, afinal, é submarina. Todo momento eu pensava como existe muitas vidas por aí, fazendo diversas coisas diferentes, que você não tem o menor conhecimento, não é? Ali estavam, pessoas se divertindo, em pleno sábado com a pesca, patrocinadores com a sempre vontade de divulgar suas marcas, pesquisadores de universidades coletando materiais para suas pesquisas, uma cachorra que só saiu de casa pra passear, crianças que percebem nessa atividade de pescaria uma forma de futuro e uma psicóloga, que nada entendia, mas muito curiosa estava com tudo aquilo que estava vendo. Assim, tudo junto e misturado.
A noite chegava. Pariculamente, já estava muito cansada. Após trabalho finalizado, fomos todos comer pizza, na mesma cidadezinha antes de partir de volta à Curitiba.
Este, sem dúvidas, foi um dos melhores dias desde que cheguei em terras paranaenses. Além do re(encontro) com a praia, que tanto detalhei, foram momentos super enriquecedores, além de super divertidos. Aqui, agradeço novamente aos meninos do surf. Não só agradeço, como me sinto "Obrigada" a retribuir o grande favor. =)
Quanto às praias do Paraná, pelo menos, a que conheci, indicaria pra muita gente conhecer. Ao meu ver, o que talvez falte seja um incentivo e valorização não só do Estado, mas também das próprias pessoas que denigrem a imagem do seu litoral.
Obs:
Pra quem tiver curiosidade em saber os resultados do campeonato ou
querer saber um pouquinho mais, achei esse site: http://www.apps.org.br/
Que dia lindo, minha amiga! :)
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